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Dica de Leitura: A última carta de amor

Com os avanços tecnológicos e a cultura do imediatismo, a troca de olhares e aquele conversa fiada, típica do primeiro encontro ou início do flerte, foi substituído por mensagens (muitas vezes mal redigidas) no WhatsApp ou ‘escolhas a cega’ no Tinder.  E (pelo menos, para esta que vos escreve!) a paquera perdeu, de certa forma, parte do seu charme e da graça e, com isso, ficou cada vez mais difícil ser a próxima sorteada na loteria do amor.

Sempre tive a impressão de que nasci na época errada. Afinal, é pedir demais um pouco de lealdade, gentileza e romantismo? Ao invés de mensagens curtas no WhatsApp e um ‘estou de plantão no final de semana’, quando na verdade está galinhando por São Paulo inteira? Acho que não, né? E constatei isso após terminar o livro A Última Carta de Amor, da escritora Jojo Moyes ( de Como Eu Era Antes de Você)

DIAS ESTILOSOS_ LIVRO_A ÚLITMA CARTA DE AMOR.

O título é brega? Sim! Mas, a história é incrível! E faz um paradoxo do amor na nossa geração e há quatro décadas.  A jornalista Ellie Harworth encontra no arquivo do jornal cartas de amor endereçadas a Jennifer Stirling, redigidas na década de 60.  Nas correspondências, ela percebe que Jennifer viveu um romance fora do casamento, e por ter uma história similar (Ellie é amante de um escritor) decide reunir os protagonistas deste amor proibido. Diferente de muitos enredos românticos, o protagonista não é uma pessoa perfeita, mas um ser humano, repleto de virtudes e defeitos.

DIAS ESTILOSOS_ LIVRO A ÚLTIMA CARTA DE AMOR1

Apesar de ser uma ficção, confesso que o meu ‘eu jornalista’ morreu de inveja da pauta de Ellie, já que sempre tive muita vontade de escrever sobre um  reencontro amoroso, um destes poucos e bem sucedidos que a vida proporciona de quando em quando.  Quem sabe um dia?

Como já disse em outros posts, gosto de livros que despertem algum tipo de sentimento. Seja raiva, tédio ou uma reflexão, como no caso deste. E uma das frases que mais me tocou em todo o livro foi: “Os jovens não tem o monopólio dos corações partidos”. E talvez seja isso mesmo! Muitas vezes ‘ a nossa vontade’ está acima do ‘sentimento do outro’.

Hoje em dias as pessoas não se permitem conhecer o outro, muitos procuram apenas uma transa ou a pessoa ‘ideal’ traçada dentro da sua linda cabecinha e não se dá a chance de tentar novas possibilidades, desafazendo de amores como quem troca de roupa. E na primeira desilusão – seja com o gosto musical ou divergência de opinião – é suficiente para dar um basta na história que estava na sua primeira fase, mas que tinha potencial para se transformar em um best-seller.

Durante toda a manhã fiquei pensando sobre a minha vida amorosa e a dinâmica do mercado (leia: vida de solteiro). E juro que torço para ter o privilégio de ter um relacionamento real, sem meias verdades, mas repleto de sentimentos e que não falte vontade de tornar este romance em algo concreto. A dinâmica do flerte moderno me assusta, mas se você acha que desisti de procurar por alguém bacana, engana-se.  Assim como os protagonistas do livro (seja o núcleo da década de 60 ou atual) a gente pode deixar um pouco de lado o celular – e o leque de interpretações para cada ponto de exclamação, adjetivo ou as reticências das mensagens de texto – e ir à luta, com a cara e a coragem.

Beijos

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